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História da Recuperação Recente do Cane Corso


No início da década de 70 começou, por parte de alguns cinófilos como Francesco Bonatta e Antonio Morsiani, a se falar de um cão tipo molossoide de pelo curto diferente do Mastino Napoletano, similar ao Bull Mastiff e parecido com o cão de presa de Maiorca, presente em várias fazendas da região da Puglia (estas fazendas -- masserie -- são antigas empresas rurais, dedicadas à agricultura e pastoreio, caracterizadas por construções que continham fenis, cilos, fornos, estalagens, escuderias e a residência do responsável: o 'massaro'). Em 1974 durante uma exposição canina realizada na cidade de Foggia foram apresentados, fora do concurso, 5 exemplares de corso: um macho cinza de Ortanova (província de Foggia), alto e esguio, um casal de cães pretos provenientes de Montella (província de Avellino) e uma fêmea preta e um macho tigrado de Lucera (província de Foggia) que apresentavam porém membros e focinho mais curtos. Foram portanto identificados e censados os primeiros exemplares em Foggia.

Em 1978, Paolo Breber anuncia, em um artigo na publicação mensal da ENCI (entidade nacional de cinofilia italiana), ter iniciado a recuperação da raça com uma criação de 19 exemplares. Entre 1975 e 1978 do cruzamento dos exemplares por ele encontrados em Foggia nasceram duas ninhadas: a primeira de 7 filhotes e a segunda, dois anos depois, de 10 filhotes. Em 1979 Stefano Gandolfi e Giancarlo Malavasi tomam conhecimento da existência do corso e depois de uma primeira viagem em Puglia, percebem a necessidade de intervir com cruzamentos mirados e uma equilibrada dieta alimentar para dar partida em um real programa de recuperação. Entre o final de 1979 e janeiro de 1980 foram transferidos para Mantova 3 exemplares: Tipsi, Brina e Dauno que deram vida no prazo de um só ano a 18 filhotes, entre os quais Basir, Bulan, Babak e Aliot, verdadeiros pilastros do programa de recuperação da raça, sob a guia de Giovanni Bonatti e do veterinário e criador Giovanni Ventura, também juiz pela ENCI, idealizador de um estudo mais atento e preciso para o corte das orelhas.

No mesmo tempo se deu início às pesquisas históricas e iconográficas sobre o Cane Corso com a ajuda de Gianantonio Sereni, apaixonado cinófilo e de Fernando Casolino, um criador.

Em 1981 para incrementar a consistência numérica da raça, foi decidido consignar alguns dos filhotes nascidos dos cruzamentos programados a apaixonados pela raça e contemporaneamente intensificaram-se as pesquisas de novas linhas de sangue no sul da Itália. Em 1983, após uma primeira reunião de verificação da raça realizada em 1982, realizou-se em Mantova uma outra reunião na qual 12 cães corso foram examinados e medidos atentamente por Giovanni Ventura para a coleta dos primeiros dados cinométricos que revelaram, em quase todos os exemplares: leve prognatismo, eixos cranio-faciais levemente convergentes, olhos em posição sub-frontal, ausência de pele em excesso e linfatismo, peso médio de 47 quilos nos machos e de 38 nas fêmeas, altura média de 68 centímetros para os machos e 64 para as fêmeas, pelagem negra, tigrada, fulvo clara e cinza. No mesmo dia, as pessoas presentes ao encontro decidiram reunir-se em uma associação, criando assim a Sociedade Especializada denominada da S.A.C.C. O regulamento rígido que foi aprovado previa un controle por parte do conselho diretor e do comitê técnico sobre cada cruzamento e sobre as consignações efetuadas. Os cães eram distribuidos gratuitamente com o compromisso de acompanhar o crescimento e mantê-los, colocar a disposição os machos e indicar o cio das fêmeas, assistí-las na gravidez e cuidar dos filhotes, que eram por sucessivamente consignados. Foi estabelecido que estas pessoas poderiam obter um cão corso para cuidar, com idade de três meses, vacinado e com orelhas e cauda amputadas, associando-se a S.A.C.C. com uma contribuição de somente 100.000 liras italianas (pouco menos de R$ 300 atuais).

Em julho de 1984 o cão corso foi apresentado como convidado em algumas exposições e encontros, pois era necessário aumentar a atenção do mundo cinófilo e do grande público para alavancar a divulgação da raça. Um dos mais importantes, ocorreu em junho de 1984 em um encontro em Castenaso (província de Bolonha), programado por Franco Bonetti, que tinha observado Basir com muita atenção, no campo de adestramento da SAS. Estavam presentes os juizes Bonetti, Morsiani e Perricone para o exame morfológico e Claudio Bussadori para as avaliações de caráter dos 12 cães corso presentes. Nesta ocasião foi confirmada a validade dos levantamentos efetuados por Ventura. Em 03/11/1985 em Mantova ocorreu o primeiro contato oficial com a ENCI, onde estavam presentes os juizes Barbati, Mentasti, Morsiani, Quadri, Perricone, Vandoni (que esteve no Brasil em outubro de 2003) e Ventura. Apesar da relativa heterogeneidade dos cães, os juizes presentes concordaram com as linhas ortologicas fundamentais coletadas por Ventura.

Em 1987, Antonio Morsiani, encarregado pela S.A.C.C. e com a aprovação do Comitê de Juizes, presidido por Perricone que forneceu a Morsiani um esquema de standard-tipo adotado pelo congresso FCI de Monaco em 1934, preenche o projeto de standard da raça. Com tal finalidade são examinados e medidos aproximadamente 100 exemplares da raça, tanto no norte quanto no sul da Itália. Em seguida o standard é alterado com base nas novas diretivas da FCI que prevem uma distribuição diferente dos paragrafos e uma redação menos formal sendo em seguida apresentada ao Comitê de Juizes que, em novembro de 1987, aprova o texto.

Desta forma, em 1988 o Comitê Diretor da ENCI decide submeter os exemplares existentes a um juizado experimental com a finalidade de verificar a homogeneidade de tipo, constituição, caráter e a aderência ou menos as características indicadas no projeto de Standard.

Durante as exposições de Milão, Florença e Bari, os juizes Morsiani, Perricone e Vandoni executam os levantamentos cinométricos de mais de 50 exemplares, concordando com a validade do projeto de Standard.

A S.A.C.C. envia à ENCI um censo dos exemplares rústicos, acompanhado de 97 fotografias. Obtida a autorização da ENCI para mais um encontro, fica estabelecido um na exposição canina de Foggia (outubro de 1988) para comparar o projeto de Standard da S.A.C.C. com os cães Corso "rústicos" do sul da Itália. Em 1989 foi assim instituido pelo Conselho Diretor da ENCI o "livro aberto" do Cane Corso, cujo controle foi atribuido a uma comissão formada pelos juízes Barbati, Dagradi e Quadri.

A S.A.C.C. em 1990 colaborou de forma determinante para a regularização do 'Convênio Nacional para o Cane Corso'. E assim, em novembro do mesmo ano, foi apresentado na exposição Européia de Verona ao Comitê Standard da Federação Cinológica Internacional (FCI), o "resumo das características morfológicas" redigido por Morsiani em 4 línguas européias.

Durante os encontros de 1990 a 1992 do Livro Aberto de Mantova, Foggia, Ostuni, Morciano e Messina foram inscritos no Livro Aberto como raízes de linhagem 563 exemplares, examinados pelos juizes Ammannati, Dagradi, Morsiani, Perricone e Vandoni. Junto com estes exemplares foram adicionados os cães inscritos diretamente nos livros genealógicos dos criadores, o que levava a um total de 820 exemplares. Entre agosto de 1992 e o início de 1993, o Comitê Diretor da S.A.C.C. participou, com uma contribuição determinante, do Congresso Internacional de Cinotecnia Genética, Alimentação e Psicologia Canina realizado em Ravenna. Desta maneira, em setembro de 1993 o Cane Corso submeteu-se a mais um teste que consagrou seus títulos na presença dos juízes Bernin, Bonetti e Vandoni. Em 20 de janeiro de 1994, o C.D. da ENCI, consultados os autos coletados e ouvido os pareceres favoráveis do Comitê de Juízes, do Comitê de Raças Italianas e do Comitê de Criadores, aceita o pedido e sanciona o reconhecimento do Cane Corso como raça italiana. Em novembro do mesmo ano, o C.D. organiza o Campionato Social e aprova seu regulamento. São 11 as provas no calendário para 1995 durante as exposições nacionais e internacionais da ENCI. Em janeiro de 1995 a S.A.C.C. subscreve um convênio com a AIVPA com a finalidade de incentivar a pesquisa sobre a displasia coxo-femural e contribui grandemente para a melhoria da raça. Com essa finalidade, são realizados dois encontros, em Mantova e Bari, para iniciar uma investigação exploratória sobre a incidência de oculopatias hereditárias no cão Corso, realizadas pelo Departamento de Patologia Animal da Universidade de Turim.

Em 10 de fevereiro de 1995 o C.D. da ENCI reconhece a S.A.C.C. como sócio coletivo. Após o reconhecimento da raça o C.D. da ENCI delibera que a partir de 01/07/95, nas exposições italianas, se poderá atribuir o CAC à raça Cane Corso, permitindo o acesso ao Campionato Italiano de Beleza.

A S.A.C.C. em 1996 realiza um estudo morfológico sobre a raça com a realização de desenhos técnicos do Cane Corso. Para o reconhecimento da raça pela FCI, preparou-se uma documentação detalhada: uma apresentação histórica da raça, o standard modificado com base nas novas diretivas, um estudo sobre as linhas de sangue existentes, tudo em italiano e inglês. Organizou-se também uma apresentação da raça em Arese e na ENCI para a FCI, com a presença do Presidente Hans Muller. Em 02 de maio de 1996 o C.D. da ENCI reconhece oficialmente a S.A.C.C. come Sociedade especialida para a tutela da raça.

Na reunião de 04/07/96 o C.D. da S.A.C.C. aprova o "regulamento das manifestações". Este regulamento subordinava a atribuição do título de Campeão Italiano após passar pelo teste de atitude CAL 1 e consequentemente a disputa do CAC entre as classes livre e trabalho. Para a atribuição do título de campeão social é necessário também passar no exame da displasia coxo-femural (HD). Em 19/10/1996 a S.A.C.C. organizou em Foggia o "1º Seminário Nacional sobre o Cane Corso". Em 09/11/96 o C.D. da ENCI deliberou a admissão do Cane Corso às provas atitudinais de CAL 1 (basicamente indiferença ao disparo, bom comportamento social e predisposição à defesa/ataque).

Finalmente em 12 de novembro de 1996 a FCI reconheceu a raça Cane Corso como a 14ª raça italiana. O C.D. da S.A.C.C. enviou em 14/11/96 à ENCI a solicitação de atribuição do CACIB (certificado de campeão internacional) aos cães presentes nas competições internacionais.

Em março de 1997 a S.A.C.C. organizou com a colaboração da Fundação A. Morsiani o 1º Convênio Técnico-Científico sobre o Cane Corso em Bagnara di Romagna onde Franco Bonetti, utilizando-se de uma cabeça em marmore do escultor contemporâneo Massimiliano Rollo, comentou o standard da raça.

A partir de 97, a S.A.C.C. além de ter regulamentado as normas que regem as Delegações Regionais, também aprovou um novo regulamento das manifestações nunca aplicado, visto que ainda espera aprovação por parte da ENCI e também o fechamento do L.I.R.

O texto deste artigo apareceu na revista "IL TUO CANE CORSO" editado pela Editoriale Olimpia. Os comentários em itálico foram adicionados na tradução.

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